Um recurso de Arteterapia facilitador na hora do ensinar e aprender
Constantemente a escola busca novas formas de aproximação com seu aprendiz. Didática motivadora, conteúdo significativo e conhecimentos múltiplos são condições para uma educação conciliadora, coletiva e em conexão com a realidade do aluno. Nessa busca, novas formas de expressão são muito bem-vindas e a música é uma ótima alternativa.
“Trabalhei música em escolas onde as crianças eram carentes, inclusive de atenção. Acredito que o mais importante no aprendizado com Arte é gerar diversão, mas também amor, preenchendo um grande vazio que existe em algumas delas”, relembra a professora de música Cintia Rodrigues.
Quando entrou em sala de aula, a musicista Cintia entendeu que o projeto Mais Educação almejava outras formas de aprendizagem no período inverso. “Mesmo simples, as aulas contribuíram para a coordenação motora e o desenvolvimento social e do raciocínio das crianças. A música ampliou a relação do trabalho em conjunto, de disciplina, noções de ritmo e afinação, e para as crianças que queriam dançar e cantar, as aulas despertaram a imaginação dentro de um cenário puramente cultural”, diz.
Música é mais do que relaxamento, é composição, criação e dança. É participar, manter atenção e aprender. Um exemplo transformador vem da associação sem fins lucrativos Sol Maior, de Porto Alegre. Fundada em 2007, um dos seus principais projetos hoje é a Escola de Música Usina de Talentos, que leciona para 350 crianças e jovens oficinas de instrumentos musicais, canto, coral e dança, ministradas no Multipalco do Theatro São Pedro e ACBERGS.
“O projeto tem como público-alvo crianças e adolescentes na faixa de zero a 17 anos, que estejam matriculados no ensino público regular. Eles recebem passagens, lanches e acompanhamento sistemático nas suas demandas sociais. A aposta do ensino de música é usar a arte como ferramenta capaz de mudar o futuro e a vida dessas pessoas”, divulga Maria Teresa Campos, presidente da Sol Maior.
Com tantos predicados, como trabalhar a musicalidade prevista nos Parâmetros Curriculares Nacionais? Essa é uma questão de múltipla escolha e a resposta mais adequada reside na criatividade. “Pode-se levar a música de diversas formas, desde audições musicais e confecção estilizada de materiais, até desenvolver o gosto pelo aprendizado de determinados instrumentos”, diz Patrícia Cruz, especialista em Arteterapia, professora convidada da Pós-Graduação UNIASSELVI/IERGS e educadora especial da SMED (Secretaria Municipal de Educação) de Porto Alegre.
A promoção da arte estimula compreensões nas crianças, jovens e adultos. “Todo processo de arte tem uma função importante no desenvolvimento do sujeito. A música contribui para que a sensibilidade se desenvolva, com ritmo e criatividade. Seja ao aprender um instrumento ou ao apreciá-lo, a prática de música potencializa a aprendizagem cognitiva, particularmente no campo do raciocínio lógico, da memória, do espaço e do raciocínio”, informa a especialista.
É fundamental que o ensino da música seja feito de modo agradável e divertido para que o ambiente cause efeito positivo em todos os envolvidos, facilitando a integração entre professor e alunos. Musicalização em sala é mais do que uma experiência estética, mas uma metodologia facilitadora do processo de ensino e aprendizagem e contribui diretamente no desenvolvimento cognitivo, linguístico, psicomotor e socioafetivo do aluno.
As atividades artísticas fortalecem a identidade e ampliam as possibilidades de comunicação e expressão, além de criar uma relação íntima entre conhecimento e emoção. Tal como um remédio, a música tem várias funções, que tocam a mente, mexem com o corpo e vibram no coração. Em sala de aula, a música torna-se um afinado instrumento em prol da educação.
(Fonte: Revista IERGS | INFORMAÇÃO EDUCAÇÃO)