Através da Prefeitura de Porto Alegre, a Secretaria Municipal de Governança Local deu andamento ao projeto de capacitação em mediação de conflitos, em parte ministrado nas instalações da Pós-Graduação do IERGS/UNIASSELVI.
O programa é uma habilitação gratuita de 20 horas, desenvolvido no início de 2012 e que vem sendo aplicado desde abril deste ano. Até novembro, a organização prevê uma capacitação de quatro turmas e já há filas de espera para os próximos grupos.
Parte dos objetivos do projeto é a promoção de um ambiente de diálogo e da constituição de parcerias com todos os atores sociais, viabilizando soluções qualificadas para os problemas locais.
Nelnie Lorenzoni, assessora técnica da Secretaria Municipal de Governança Local, é uma das professoras orientadoras do projeto. Psicopedagoga especializada em mediações judiciais, Nelnie é também estudante do tema. A assessora defende o programa como uma política pública de pacificação e que usa as ferramentas da mediação e da justiça restaurativa para transformar a existência de possíveis conflitos.
“Antes de judicializar conflitos entre cidadãos, a perspectiva é de que haja um meio, um espaço de diálogo que possa haver uma mediação e, para isso, nós estamos capacitando as pessoas no sentido de saberem o que é a mediação, de conhecerem estratégias e ferramentas que permitam que os conflitos sejam mediados em casa, na escola, na comunidade”, contou Nelnie.
A equipe que recebeu os treinamentos no IERGS/UNIASSELVI teve adesão de, pelo menos, 85% de professores de escolas estaduais e municipais. Vice-diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Teodoro Amstad, de Porto Alegre, a professora Tania Regina da Silva Forte encontrou no programa da SMED uma oportunidade para melhorar o convívio e o ensino em sala de aula. Segundo a professora, há muitos conflitos entre os jovens, mas a qualificação profissional pode ser a alternativa correta para levar soluções à Escola.
“É uma maneira de ajudar os adolescentes sem imposições e de forma que amenize todos os conflitos que são tão comuns nessa fase da vida deles”, argumentou a vice-diretora, anunciando a ideia de potencializar o atendimento do departamento de Serviço de Orientação Educacional do colégio, com vistas a ajudar o próprio aluno e diminuir a geração de conflitos.
Esse movimento de capacitação vem acontecendo através de audiências públicas que, desde abril de 2013, já realizou oito encontros sob a temática de justiça restaurativa e mediação de conflitos. Os profissionais que estão trabalhando com o tema veem no conflito uma oportunidade para aprender e transformar relacionamentos.
“Conflitos são sempre possibilidades de aprendizagem, qualificação e transformação de relacionamentos. Esse projeto tenta mostrar aos profissionais que diálogo, posicionamento positivo e proatividade são plataformas certeiras para se encontrar uma solução”, completa a assessora Nelnie.