Pense um pouco sobre tudo o que a internet consegue fazer por você hoje. Agora reflita como ela poderia ajudar em sala de aula.
Em rede, todo mundo é um pouco ativista. E isso é ótimo. Pelo menos do ponto de vista didático, as pessoas podem dizer o que bem entendem na internet, conversam com quem quiser e oferecem os serviços que consideram convenientes. De fato, as causas que as movem em rede também podem ser fonte de inspiração para o desenvolvimento da aprendizagem em sala.
Para a Pedagoga Viviane Guidotti Machado, professora-tutora da Graduação UNIASSELVI, prestar atenção ao que ocorre na internet também é fundamental para o desenvolvimento das aulas. “É importante saber como os alunos se manifestam, tendo como princípio o respeito à opinião deles. No Facebook, por exemplo, sempre organizo um grupo da turma, que serve como um ambiente de trocas de materiais, notícias, vagas e fotos. Muitos assuntos que compartilhamos nos grupos já foram debatidos em aula. Assim, podemos relacionar esses textos com as disciplinas, a partir dos interesses dos alunos. É uma forma de articular teoria e a prática pedagógica em sala”, diz a professora.
Não se trata de fazer vistas grossas ao fato de que as escolas ainda buscam adequar-se à evolução tecnológica, implantando computadores e internet. No entanto, a sociedade está em plena transformação e os alunos, em sua maioria, possuem celulares com acesso à internet e preferem estar conectados em vez de off-line.
“Já fiz textão nas redes sociais, sim. Fiz sobre saudade e sobre conquistas pessoais. Depois que escrevi, senti o coração mais calmo e tranquilo. Foram palavras escritas com carinho e gratidão, de forma a exteriorizar os meus sentimentos naquele momento. Texto é tudo”, conta Kátia Ferreira, estudante de Pedagogia na Graduação UNIASSELVI.
Em maior ou menor grau, todos promovem nas redes seus pontos de vista sobre direitos e deveres, explorando suas concepções de sociedade, de justiça e liberdade. Isso mostra que a sociedade vem recriando suas culturas dentro de ambientes digitais. Agora cabe à escola acompanhar este processo e reaprender a ser uma organização significativa e inovadora para os alunos.
Até os bate-bocas virtuais fortalecem a democracia. Isso encoraja o debate entre diferentes pontos de vista, expõe preconceitos e torna muitos temas mais acessíveis. Uma dica: os textões ainda têm muito a nos ensinar.
(Revista IERGS – Informação Educação. 2018)